domingo, 19 de dezembro de 2010

A correta vivência litúrgica

Confesso a todos que tenho esperança de que os católicos ... quer dizer, pelo menos aqueles que REALMENTE querem viver a fé católica ... ouçam as palavras do Santo Padre em relação à vivência litúrgica.

Não é de hoje que o Papa Bento XVI exorta a todos a mais correta vivência litúrgica, e não porque “tem que seguir as normas”, mas porque a correta aplicação das normas litúrgicas representa o devido zelo ao sagrado (que muito se perdeu nos dias de hoje) e um maior aprofundamento na vivência dos mistérios litúrgicos.

É importante lembrar que a liturgia é uma só, existe apenas a liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana. Qualquer acréscimo realizado não significa que se trata de liturgia própria desta ou aquela expressão dentro da Igreja. Não é a liturgia que deve se adaptar aos fiéis, mas os fiéis que devem se adaptar à liturgia. E já vi algumas vezes a inversão dos valores.

E diante disso, temos uma situação que já ouvi muito: “a lei mata”. Essa é uma das frases mais ridículas que já ouvi, e que muitos gostam de usar para não cumprir as normas litúrgicas.

Como advogado lido com leis e aprendi desde a faculdade que cada norma somente pode ser feita pela pessoa competente e por determinada situação. No caso das normas litúrgicas, estas foram criadas pelas pessoas competentes dentro da Igreja e buscam a melhor e mais correta vivência da liturgia. Diversos documentos da Igreja e pronunciamentos dos Santos Padres (inclusive o Papa Bento XVI) reforçam esta vivência mais correta da liturgia, o que mantêm a validade de cada letra nas normas litúrgicas. 

Há quem olhe a liturgia como uma seqüência de atos e que a norma não passa de um regulamento. Mas quem decide reconhecer a norma litúrgica como fruto da vontade divina para a melhor vivência dos mistérios litúrgicos, vê que ela é de enorme importância para a vida da e na Igreja. Dentro da importância da celebração litúrgica, de forma especial a celebração eucarística, a Santa Sé já nos deixou claro:

Mas a liturgia é o cume para o qual tende toda a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de que promana sua força. Os trabalhos apostólicos visam a que todos, como filhos de Deus, pela fé e pelo batismo, se reúnam para louvar a Deus na Igreja, participar do sacrifício e da ceia do Senhor.
(Constituição sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 10)

Assim, dizer que “a lei mata” é (para mim) ridículo, pois é praticamente retirar a competência de quem escreveu e a validade da norma.

Tanto se luta contra a relativização na sociedade atual (luta justíssima), mas se vê que MUITOS comentem erro semelhante dentro da Igreja ao se relativizar a norma litúrgica. Persistir nesta relativização da norma litúrgica para adequá-la ao que é mais conveniente, representa bem o que se passa no coração da pessoa.

SER católico é ADERIR VERDADEIRAMENTE ao que nos diz a Santa Igreja (que é MÃE e MESTRA), INCLUSIVE ÀS NORMAS LITÚRGICAS!!!!!

DIZER-SE católico é ADERIR EM PARTE, só no que convém e relativizando o que diz a Igreja para que se sinta mais confortável de acordo com os seus achismos.

Peço desculpas por eventuais exageros, mas tenho certeza de que não exagerei no conteúdo.

Dr. André Brandalise, da Comunidade Shalom

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Diversos grupos e soluções diante da crise litúrgica


Diante da atual crise litúrgica, com aberrações gritantes, falsas concepções acerca da liturgia católica, bagunças nas Missas, debates quanto a mutilações e acréscimos feitos pela própria autoridade eclesiástica no texto do rito, levantam-se inúmeras propostas quanto ao que fazer. As sugestões, tendências teológicas, inclinações canônicas, e preferências pessoais (baseadas ou não na realidade dos fatos), são muitas. Podem, todavia, ser agrupadas, nesse quesito, em cinco grupos:

1. Os tradicionalistas

Segundo este grupo, a solução seria simplesmente retornar à última versão do Missale Romanum codificado por São Pio V, i.e., ao texto previsto em 1962, antes da reforma litúrgica de Paulo VI. Percebem os defensores de tal tese que os missais de 1962 e de 1970, embora conservem uma essência comum, são distintos por vários acréscimos feitos, bem como mutilações e adaptações, tanto no Ordinário quanto no Próprio. A linguagem, dizem, também teria mudado. Mais ainda: o modo como foi feita a reforma do Missale Romanum, em 1970, não teria respeitado o princípio do desenvolvimento harmônico, e, portanto, tratar-se-ia mais de um rito fabricado do que uma continuidade do rito romano clássico.

Parcela dos defensores dessa tese admitem que, enquanto não se chega à situação ideal de generalizar a prática da hoje chamada forma extraordinária a ponto de se tornar o rito normativo, possa-se tolerar o rito novo.

2. Os reformistas

São os que percebem que o rito novo possui várias lacunas, como, por exemplo, a exclusão das Orações ao Pé do Altar e do Último Evangelho, de certos paramentos como o manípulo ou o pluvial no Asperges antes da Missa Dominical, a simplificação por demais radical do Ofertório, a eliminação do lecionário de São Jerônimo, a mudança brusca no calendário e em certas orações do Próprio etc. Sabem também que o desenvolvimento harmônico não foi observado em sua confecção.

Todavia, vários pontos positivos existem no rito novo, segundo este grupo: a possibilidade de se usar canto gregoriano e incenso em todas as Missas e não só nas cantadas e solenes (embora, ironicamente, na prática, se tenha excluído de nossas paróquias tanto um quanto outro), a cessação da artificial duplicação de certas cerimônias, o Ite Missa Est depois da Bênção Final, as Orações dos Fiéis, a Procissão do Ofertório, o Salmo Responsorial como opção ao Gradual, o aumento de leituras bíblicas, o Próprio para os dias de semana do Advento e mesmo novas leituras nas férias do Tempo Comum, a simplificação na gradação das festas, a valorização do Domingo etc.

Alguns sentem falta também de rubricas mais precisas e duras, que eliminem qualquer possibilidade de dupla interpretação, para que não se as possa invocar para celebrar uma liturgia de qualquer modo. A exclusão prática do latim e a popularização do “versus populum” também são pontos negativos levantados pelos reformistas.

O que propõem com base em suas teses? A chamada “reforma da reforma”. Manter os pontos positivos da reforma de Paulo VI em seu Missale Romanum de 1970, mas incorporar aqueles elementos que não se deveriam ter perdido e que se encontravam no de 1962. E que isso seja feito de modo harmônico. Primeiramente, é preciso que o rito anterior tenha ampla liberdade e divulgação, e que os padres que celebram no novo se deixem influenciar pela mente do antigo, pelos costumes, pela piedade, pelo silêncio, e tais valores sejam transportados para o novo. Depois, que se obrigue a celebrar, mesmo no novo rito, “de costas”, “versus Deum”, e ao menos certos trechos em latim. Alguns clamam que uma Missa de Domingo seja em latim, no mínimo. Terceiro, que opções sejam dadas, pelo Papa, para incorporar, aos poucos algumas cerimônias que não se deveriam ter mudado por ocasião da reforma. O resultado será que o rito antigo será a base para um rito romano unificado e que tenha os pontos positivos do novo. Em um modo de falar, teríamos o desenvolvimento harmônico do rito antigo. Por outro ponto de vista, teríamos o novo indo beber no antigo.

Enquanto a “reforma da reforma” não é feita (ao menos não como implementação de um novo código de rubricas), dedicam-se a promover, num grau maior ou menor: a) a maior disseminação possível da forma extraordinária (rito romano antigo); b) a celebração da forma ordinária (rito romano moderno) em estrita obediência às rubricas atuais, com toda a solenidade possível (belos paramentos, cantos gregorianos, polifonia sacra, música popular mais sóbria e tradicional, diáconos, incenso, Missas pontificais com o Bispo de dalmática por baixo da casula e todo o cerimonial); c) a popularização do latim e do “versus Deum” mesmo nas Missas da forma ordinária, inclusive com eventuais Missas totalmente em latim.

3. Os idealistas 

Para esses, o rito novo, de Paulo VI, não precisa de reforma alguma. Está perfeito. Tudo aquilo que tradicionalistas e reformistas enxergam como mutilações ou indevidas adaptações, foi bem feito. Nada de “Orações ao Pé do Altar” ou de “Último Evangelho” mesmo. Advogam um rito romano “puro”, medieval, desfeito de tudo o que consideram “estilo barroco” ou intromissão espúria do rito galicano. Alguns são fortemente influenciados pela heresia do arqueologismo, condenada por Pio XII, embora nem todos a ela prestem adesão.

Uns poucos, mais radicais, defendem o “versus populum” como a melhor das posições, e não admitem o latim em hipótese alguma nas Missas ordinárias. A maioria, entretanto, quer esse rito “puro”, mas com boas doses de latim, de gregoriano, de incenso, e “versus Deum”.

4. Os ultramontanos radicais

Para eles, o que o Papa decretar está correto, e não se preocupam com a profundidade da discussão. Não tanto por desinteresse ou por não serem experts na questão, mas por uma visão um tanto simplória e legalista das coisas. O Papa proibiu o rito antigo? Ótimo! O Papa liberou? Ótimo! O Papa reformou a liturgia? Ótimo! Não reformou? Ótimo!

É uma distorção da virtude da obediência e do princípio de andar no passo da Igreja.

5. Os revolucionários

Para eles, a crise litúrgica não é verdadeira crise. O problema é justamente a insistência dos conservadores (tradicionalistas, reformistas, idealistas e ultramontanos radicais).

Nesse grupo estão os liberais, os modernistas, os que acham que mesmo o Missale Romanum de 1970 fez pouco, e o tem apenas como um guia. Vão sempre além: aposentam a casula, ignoram o latim e o canto gregoriano, advogam o folk-pop e o rock romântico açucarado na Missa, sequer cogitam celebrar com incenso, consideram uma piada de mau gosto o “versus Deum”, colocam aqui e acolá elementos não previstos (cartazes na procissão de entrada, uma árvore no altar quando o Evangelho fala da videira e dos ramos, aplausos ritmados acompanhando as músicas), colocam leigos para fazer funções sacerdotais, rompem completamente com a tradição litúrgica, defendem a “Missa afro”, a “Missa crioula”, a “Missa funk”.

Claro que nem todos defendem todos esses bizarros elementos. Sua mentalidade é tão liberal que se dão ao luxo de escolher, entre os acima listados e outros mais (pois distorcem a sadia criatividade e mesmo o princípio da “actuosa participatio”), os elementos que vão adotar ou que acham corretos.

Rosa, cor litúrgica para este III Domingo do Advento

O próximo Domingo é o III do Advento. Junto do IV da Quaresma, são os dois dias litúrgicos em que a penitência assume um caráter mais atenuado, com refreada alegria. E, por isso, a Igreja autoriza que o roxo dê lugar ao rosa, que é um misto do roxo penitencial com o branco do júbilo. O rosa, vê-se, é facultativo, mas é uma piedosa tradição que poderia bem ser mantida.

Abaixo, casulas góticas e romanas, e pluviais, nessa belíssima, embora tão em desuso no Brasil, cor litúrgica. Quem sabe não fazemos uma grande campanha para revitalizar essa cor de paramentos?

Algumas das fotos são do nossos amigos do New Liturgical Movement, dos Estados Unidos.



domingo, 5 de dezembro de 2010

A coerência de um Bispo

Publico abaixo um pequeno texto de Dom Henrique Soares da Costa, Bispo auxiliar de Aracaju retirado de seu blog. Dom Henrique se destaca pela sua fidelidade à Santa Madre Igreja! Neste texto ele menciona as duas formas do rito romano, com fidelidade ao que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, mencionou na carta aos bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum: "As duas Formas do uso do Rito Romano podem enriquecer-se mutuamente."

Tem sua beleza, pelo que expressa de sagrado, de santo, do aspecto sacrifical da Eucaristia. Tem seus limites, pelo que não consegue bem exprimir do sentido de participação do Povo de Deus e da dimensão do banquete escatológico. Recorde que esta forma de Missa pode ser celebrada atualmente, como forma extraordinária do nosso Rito Romano.

Devemos conservar desse rito o respeito, o sentido do sagrado, o cuidado com as rubricas, que são necessários para exprimir o verdadeiro sentido do rito litúrgico. Sempre repito e continuarei a repetir: rito não se inventa, rito não pode ser manipulado! Não existe oficina de liturgia! O missal é para ser aberto e seguido com unção, piedade e santa reverência!

A Missa como é celebrada hoje, no Missal dito de Paulo VI, após a reforma litúrgica, tem tanto de beleza e de equilíbrio entre a dimensão sacrifical e a de banquete, conjuga com tanta beleza o papel do sacerdote e a participação da assembleia. Uma falha dele - que pode ser corrigida - é ter eliminado muito dos gestos, da riqueza de alguns elementos que existiam no missal anterior. Nisto, sem dúvida há uma certa pobreza e "dessacralização" no missal atual... No entanto, no seu conjunto, é um precioso tesouro e fonte de verdadeira vida espiritual! Infelizmente, os abusos, a ignorância das rubricas, a falta de piedade e de zelo, o desconhecimento do sentido genuinamente católico do que seja liturgia e rito, a indisciplina do clero, a prepotência que faz com que cada um se ache no direito de fazer sua liturgia e sua missinha, tudo isto em muito tem deturpado gravemente o verdadeiro sentido da liturgia; e destruir a liturgia é destruir o coração da Igreja! Não temo dizer que a crise de fé na Igreja está diretamente ligada à crise na liturgia!

Rezemos e trabalhemos para que o clero volte a compreender o sentido profundo da ação litúrgica cristã e celebre a Santa Missa segundo o missal do Vaticano II com zelo, piedade, fidelidade e espírito de respeito pelo sagrado!

Abaixo, algumas fotos de Dom Henrique, em celebrações e tempos litúrgicos diversos.













segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ritos simples que podem ser retomados nas paróquias com vistas a uma maior piedade e ranovação da liturgia


Se a sua paróquia, caro leitor, não tem ainda condições de implementar uma Missa solene, ou uma Missa cantada em latim, com gregoriano, ou ainda não há condições de convencer o pároco a adotar fielmente o disposto nas rubricas, talvez seja oportuno começar "aos poucos", com cerimônias menos elaboradas, fora da Missa, que despertem a todos para uma maior piedade e ajudem, por sua regularidade, na renovação da liturgia em sua igreja.


Esses ritos são todos litúrgicos, dispostos nos livros apropriados, e, pela relativa simplicidade, afastam qualquer má vontade - exceto, claro, se for uma grande má vontade...

Damos alguns exemplos:

Te Deum

O Te Deum é um canto tradicional em gregoriano, com uma partitura das menos complicadas. Pode-se, se não houver quem cante, apenas dizê-lo, em latim ou em vernáculo mesmo. Caso a dificuldade seja mesmo grande, é melhor recitá-lo do que cantá-lo, ao menos num primeiro momento.

Para que não seja apenas uma recitação simples, pode-se usá-lo, cantado ou rezado, em português ou na língua da Igreja, no contexto de uma Exposição do Santíssimo.

Faça-se, então, tudo como na Exposição Solene: padre ou diácono om alva, cíngulo, amito e estola para expor (ou batina, sobrepeliz e estola), e mais o pluvial para a bênção e reposição; quando for pegar o ostensório para a benção, usa-se também, por cima do pluvial, o umeral. Tudo na cor branca ou festiva.

Antes de dar a bênção, com o padre ou diácono com pluvial, mas sem umeral, canta-se ou recita-se o Te Deum, e só depois o Tantum Ergo.

Se não houver exposição, pode-se fazer a recitação ou canto do Te Deum, ainda assim de modo solene: o padre ou diácono de alva, cíngulo, amito, estola e pluvial (ou batina, sobrepeliz, estola e pluvial), sempre brancos ou festivos os paramentos. O padre ou diácono, revestido de tais paramentos chega até o presbitério, ou os degraus do mesmo, genuflete ao tabernáculo (ou prostra-se ao altar, se não houver tabernáculo), faz o sinal-da-cruz, acompanhado de todos, usa a saudação litúrgica costumeira ("Dominus vobiscum"), e pode pregar uma pequena homilia. Após a homilia, canta-se ou recita-se o Te Deum, terminando com a oração conclusiva que o segue, e uma bênção simples.

O padre ou diácono pode contar com acólitos. Se for com Exposição, deverão existir esses acólitos.
O Te Deum é comumente celebrado como ação de graças no último dia do ano civil, e em festas pátrias importantes: no 7 de Setembro (Dia da Pátria), por exemplo, ou no dia 22 de Abril (Descobrimento do Brasil), ou, no caso do Rio Grande do Sul, no 20 de Setembro (Dia do Gaúcho ou Dia da Revolução Farroupilha, data magna do Estado). Na comemoração de grandes batalhas históricas, ou em ação de graças pelo fim de uma guerra (ou vitória em uma guerra justa), ou, então, após um grande feito que necessitou da especial ajuda de Deus (resgate de feridos após um terremoto, ou esses mineiros recém socorridos no Chile), também se pode cantar ou recitar o Te Deum.

Ladainhas solenes

Existem algumas ladainhas que constam do Ritual Romano, quer da forma ordinária, quer da extraordinária, e são atos litúrgicos, i.e., oficiais para o culto católico. São usadas em diferentes situações, podendo constituir celebrações independentes.

Assim, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, ou em sua novena preparatória, ou nas primeiras sextas-feiras do mês, ou ainda em todo o mês de junho, se poderia, por exemplo, fora da Missa, instituir a recitação ou canto solene da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

Ou, durante o mês de julho, principalmente no dia 1º, poder-se-ia cantar ou rezar a Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Cristo.

Em todos os dias do mês de maio, ou nas solenidades, festas e memórias da Santíssima Virgem, ou nos sábados, a ladainha seria a de Nossa Senhora. Na memória do Santíssimo Nome de Jesus, a ladainha própria referente a essa devoção. Já nas primeiras quintas-feiras de cada mês ou na comemoração votiva de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, a Ladainha de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sacerdote e Vítima, pela Santificação do Clero. Em Pentecostes e sua oitava, ou no primeiro dia do ano, a Ladainha do Espírito Santo (seguida ou antecedida pelo Veni Creator, se for oportuno). Nas quartas-feiras, e nas festas josefinas, a Ladainha de São José. Nos Domingos e nas sextas-feiras ou na solenidade de Todos os Santos, pode-se rezar a Ladainha de Todos os Santos.

Todas essas ladainhas podem ser usadas de modo privado pelos fiéis, ou em coro na igreja ou fora dela. Mas, para a proposta que ora apresentamos, convém fazer de seu canto ou recitação uma autêntica cerimônia.

O padre ou diácono usa alva, amita, cíngulo, estola e pluvial (ou batina, sobrepeliz, estola e pluvial), e faz como no Te Deum acima descrito. Em lugar do canto do Te Deum, recita-se ou canta-se a ladainha correspondente.

Pode-se fazer de outro modo também, processional. Em outra igreja ou recito apartado da igreja, inicia-se com o sinal-da-cruz e a saudação. Durante a procissão, se canta ou recita a ladainha, e, chegando na igreja, o clérigo vai até o altar, venera-o ou adora o Santíssimo no tabernáculo, e reza a oração conclusiva, dando a bênção.

É possível também combinar a ladainha com a Exposição do Santíssimo Sacramento, caso em que se a recita com o Senhor solenemente exposto, antes do Tantum Ergo, e os paramentos serão, facultativamente, da cor correspondente à ladainha ou, então, brancos ou festivos.

Para as ladainhas de Todos os Santos, Nossa Senhora, Sagrado Coração de Jesus, Santíssimo Nome de Jesus e São José, usam-se paramentos brancos ou festivos. Nas ladainhas do Espírito Santo, Preciosíssimo Sangue de Cristo, e Nosso Senhor Jesus Cristo, Sacerdote e Vítima, paramentos vermelhos ou festivos.

Fora da Exposição, pode haver acólitos. Com ela, devem.

Ladainha de Todos os Santos (o texto é da forma extraordinária, com os santos acrescentados pelo Ritual da forma ordinária entre colchetes... como a forma ordinária permite adaptação na ladainha, pode-se usar essa mistura de formas)

Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Ladainha do Preciosíssimo Sangue de Cristo

Ladainha do Santíssimo Nome de Jesus

Ladainha de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sacerdote e Vítima (em português e latim, conforme o texto oficial da Congregação para o Clero, que a aprovou, não constando nos livros litúrgicos, entretanto)

Ladainha do Espírito Santo

Ladainha de Nossa Senhora

Ladainha de São José


Sete Salmos Penitenciais

É costume, nas sextas-feiras da Quaresma, e outras ocasiões penitenciais, rezar ou cantar os Sete Salmos Penitenciais, dispostos no Ritual Romano da forma extraordinária. Não são salmos para escolher: a cerimônia é a reza dos sete, um após o outro, com a antífona e a oração própria.

Se se quer dar maior solenidade, faz-se como descrito nas ladainhas e no Te Deum. Após os Salmos, canta-se ou recita-se a Ladainha de Todos os Santos. Pode-se celebrar com o Santíssimo exposto. Fora da Exposição, pode haver acólitos. Com ela, devem.


Antífonas marianas

Da mesma forma e com os mesmos paramentos descritos acima, sempre da cor branca ou festiva, podendo-se, onde houver indulto, utilizar-se o azul, canta-se ou reza-se, em latim ou vernáculo, de modo solene, de preferência diante de uma imagem ou quadro da Bem-aventura Virgem Maria, uma antífona conforme o tempo litúrgico: Salve Regina, Regina Coeli, Ave Regina Caelorum, ou Alma Redemptoris Mater.

É tradicional que se o faça fora da Exposição ao Santíssimo, podendo-se cantar ou rezar depois da reposição no tabernáculo, mas sempre como último ato litúrgico da noite. Como rito originário, é parte do Ofício das Completas, sem a oração que segue a antífona, mas quem não recita a Liturgia das Horas pode usar a cerimônia de modo independente e com a oração própria. Uma paróquia pode fazer celebrar essa antífona como uma oração da noite nos sábados, em tempo relativamente afastado da Missa, convocando-se o povo com o sino.

Bênçãos solenes

Outros ritos que podem ser facilmente implementados em uma paróquia são as bênçãos dadas de modo solene, com paramentos. Se bem que todo sacerdote e diácono possa e deva impartir a bênção de modo simples e espontâneo sobre coisas, pessoas e lugares, é bastante conveniente que use o texto liturgicamente disposto nos livros.

Mais ainda: aproveitar a ocasião e colocar uma estola com sobrepeliz, se estiver usando veste talar, ou, na falta dela, uma alva, amito, cíngulo e estola. Um pluvial também pode ser usado.

O Ritual Romano, quer da forma ordinária, quer da extraordinária, traz inúmeros textos para bênçãos de infindáveis situações de vida, locais, objetos, famílias, indivíduos. Se bem que o Ritual da forma extraordinária seja mais generoso na apresentação das variadas bênçãos, uma para cada situação, e sempre com um versículo ou salmo, o da forma ordinária é melhor disposto para que a bênção seja uma autêntica celebração, incluindo leituras da Palavra de Deus, ladainhas, preces e a oração conclusiva. Todavia, é bom que se frise, o Ritual novo elimina, na prática, a distinção entre as bênçãos invocativas e constitutivas, sendo pobre na própria bênção, conforme o Pe. John Zuhlsdorf, pelo que recomendamos, se for usar o texto em latim, faça-o com o Ritual antigo.

Procissões solenes

Uma outra dica é solenizar as procissões, fazendo-as como manda a tradição litúrgica da Igreja. Use o padre ou o diácono uma batina com sobrepeliz, estola e pluvial, ou alva, amito, cíngulo, estola e pluvial.

Para procissões do padroeiro ou titular da igreja, a cor correspondente. Para procissões do Senhor Morto, na noite de Sexta-feira Santa, a cor da estola e do pluvial é o preto. Para o Senhor dos Passos, na Semana Santa, o roxo ou o preto. Para procissões penitenciais (pedindo o fim de uma guerra ou por ocasião de uma calamida pública ou uma doença, ou perdão dos pecados públicos), o roxo. Pode-se ter as procissões - constantes do Ritual Romano de ambas as formas - para pedir chuva, para repelir tempestades, para abençoar as colheitas ou o plantio, de ação de graças. Ou, então, para transladar relíquias (que, no caso dos mártires, pedirá a cor vermelha). Procissões no Tempo Comum sem caráter penitencial e sem envolver uma festa específica pedirão a cor verde dos paramentos.

A procissão não é apenas um amontoado de gente caminhando. Deve haver certa solenidade. Vários acólitos, em alva e cíngulo, ou em batina e sobrepeliz. Tocheiros. Turiferário e navetário, com incenso. Cruciferário ladeado de ceroferários. Diáconos com dalmáticas ou pluviais. O sacerdote, se oportuno, usando o seu barrete, ou o Bispo com sua mitra (simples nas penitenciais, exequiais e quaresmais, ornada nas demais). Haja uma ordem também: confrarias, associações de fiéis, institutos religiosos.

Se uma relíquia for transladada, pode ser usado um baldaquino para cobri-la, e um véu umeral da cor adequada por quem a transportar. Uma imagem deve ser carregada de modo solene também.

Junto a cânticos populares, entoem-se hinos gregorianos, ladainhas, e use-se o rito disposto no Ritual. Na forma extraordinária, esse rito tem algumas características e antífonas.

Paramentação do Sacerdote antes da Santa Missa


Costume antiquíssimo da liturgia latina, as orações de paramentação constituem um autêntico modo de preparação pessoal do sacerdote para a celebração digna da santa missa. Apresentamos, agora, as fotos do sacerdote, Pe. Leandro Luis Bernardes, ao se preparar para celebrar a missa no último dia 2 de Novembro. As cenas são da sacristia da Igreja de Nossa Senhora das Dores, distrito de Itaiuba-SP.


Ablução

Dai às minhas mãos, Senhor, o poder de apagar toda mácula: para que eu vos possa servir sem mácula do corpo e da alma.

Da, Domine, virtutem manibus meis ad abstergendam omnem maculam; ut sine pollutione mentis et corporis valeam tibi servire.


Amito

Colocai, Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação para que possa repelir os golpes de Satanás.

Impone, Domine, capiti meo galeam salutis, ad expugnandos diabolicos incursus.





Alva

Revesti-me, Senhor, com a túnica de pureza, e limpai o meu coração, para que, banhado no Sangue do Cordeiro, mereça gozar das alegrias eternas.

Dealba me, Domine, et munda cor meum; ut, in sanguine Agni dealbatus, gaudiis perfruar sempiternis.


Cíngulo

Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade.

Praecinge me, Domine, cingulo puritatis, et exstingue in lumbis meis humorem libidinis; ut maneat in me virtus continentiae et castitatis



Estola

Restitui-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi na prevaricação do primeiro pai, e, ainda que não seja digno de me abeirar dos Vossos sagrados mistérios, fazei que mereça alcançar as alegrias eternas.

Redde mihi, Domine, stolam immortalitatis, quam perdidi in praevaricatione primi parentis; et, quamvis indignus accedo ad tuum sacrum mysterium, merear tamen gaudium sempiternum.


Casula

Senhor, que dissestes: O meu jugo é suave e o meu peso é leve, fazei que o suporte de maneira a alcançar a Vossa graça. Amém

Domine, qui dixisti: Iugum meum suave est, et onus meum leve: fac, ut istud portare sic valeam, quod consequar tuam gratiam. Amen.



Seguiu-se a celebração da Santa Missa no altar antigo da Igreja, versus Deum, em vernáculo. Como se pode ver, o Pe. Leandro usou uma bela casula romana roxa ornada na parte de trás com o crucifixo.


A coroinha segura uma folha com as orações em português e latim e bordas enfeitadas, que figura com moldura na sacristia da igreja

sábado, 2 de outubro de 2010

As Vestes Litúrgicas



























Prezados,

Comecemos falando das vestes utilizadas na Santa Missa na ordem em que elas são vestidas pelo Sacerdote.

Amito: é a primeira veste que o Sacerdote coloca sobre os ombros e em volta do pescoço. Representa o elmo da salvação que defende o Sacerdote das insídias de Satanás. Ao vesti-la é rezada a seguinte oração: "Colocai, Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação para que possa repelir os golpes de Satanás".

Alva: é a antiga túnica romana e grega. É de linho e simboliza a pureza de coração com que o Sacerdote deve se aproximar do altar. Representa também a túnica branca com que Cristo foi vestido, por ordem de Herodes, para designá-lo como louco. Ao vesti-la, o sacerdote reza: "Revesti-me, Senhor, com a túnica de pureza, e limpai o meu coração, para que, banhado no Sangue do Cordeiro, mereça gozar das alegrias eternas".

Cíngulo: é um cordão que o Sacerdote amarra na cintura impedindo que a alva se arraste no chão. representa a mortificação necessária para a conservação da castidade. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi amarrado, quando foi preso. O Sacerdote coloca-o dizendo: "Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade".

Manípulo: inicialmente era uma espécie de guardanapo, preso a um dos braços, utilizado nos banquetes antigos. Mais tarde passou a ser utilizado como lenço, pelos oradores, para enxugar o suor e as lágrimas. Hoje é utilizado por aqueles que possuem ordens maiores, preso ao braço esquerdo. É de seda, e da mesma cor da casula e com três cruzes. Simboliza o trabalho e as boas obras, feitas aqui na terra, com lágrimas, mediante as quais o Sacerdote conquistará o céu. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi preso à coluna, para ser açoitado. Ao vesti-lo o Sacerdote reza: "Fazei, Senhor, que mereça trazer o manípulo do pranto e da dor, para que receba com alegria a recompensa do meu trabalho".

Estola: era um lenço luxuoso, mais comprido que o manípulo, utilizado por pregadores, indicando autoridade da pessoa que falava. Hoje é uma faixa comprida de seda, da mesma cor da casula, colocada ao pescoço, descendo para frente por ambos os lados. Simboliza o poder sacerdotal e a imortalidade ou glória eterna que o Sacerdote pede, ao revestir-se dela, rezando: "Restitui-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi na prevaricação do primeiro pai, e, ainda que não seja digno de me abeirar dos Vossos sagrados mistérios, fazei que mereça alcançar as alegrias eternas".

Casula: seu nome significa "casinha". Era um grande manto que cobria todo o corpo do Sacerdote, permitindo passar somente a cabeça. Sua função era simbolizar o isolamento do Sacerdote com relação o mundo. Com o tempo, esse manto foi diminuindo, por razões práticas (era muito difícil fazer qualquer movimento com ele). Hoje a casula romana é aberta nos flancos para facilitar os movimentos do sacerdote. A casula é feita de seda da cor correspondente à Missa celebrada, possui uma grande cruz nas costas, simbolizando o jugo suave da lei de Cristo que o Sacerdote deve levar e ensinar aos demais a levar. O Sacerdote coloca-a, rezando: "Senhor, que dissestes: O meu jugo é suave e o meu peso é leve, fazei que o suporte de maneira a alcançar a Vossa graça. Amém".

Durante a Santa Missa, o Sacerdote pode ser auxiliado pelos coroinhas, esses se vestem com batina e sobrepeliz.

Batina: Veste dos padres e seminaristas. É negra, representado luto ao mundo, para o qual o Sacerdote está morto, possui um colarinho branco representando a pureza. Na frente possui trinta e três botões, representando a idade de Cristo, e nas mangas possui cinco botões representado as cinco chagas de Cristo.

Sobrepeliz: É uma espécie de alva de tamanho reduzido, chega o máximo na altura do joelhos, possui mangas largas e folgadas. Costuma ser de linho e pode ter rendas.

Há ainda outros paramentos usados pelo Diácono em Missas solenes: Dalmática e Tunicela: são paramentos de seda semelhantes à casula do sacerdote, e da mesma cor que ela, porém possuem mangas e formato mais próximo do quadrado. São utilizados, respectivamente, pelo Diácono. Indicam solenidade, e simbolizam: a dalmática, a Justiça, e a Tunicela, a alegria.

Pluvial: é um grande manto usado pelo sacerdote e que chega até aos pés. É preso no peito por um broche. É utilizado em Missas solenes, onde muitas vezes há procissões. Seu uso antigo era para defender o Sacerdote da chuva.

Véu Humeral: é usado pelo Sacerdote nas bênçãos, transladações e procissões do Santíssimo Sacramento, comunhão para os enfermos, etc.. na Missa solene, para sustentar a Patena. Utilizado também para cobrir os objetos da Credência. É de seda, branca quando se trata do Santíssimo Sacramento, e da cor dos paramentos, na Missa solene.

Há também os Ornamentos Episcopais ou Pontificiais, mais vistosos e mais ricos, que os dos simples Sacerdotes, pois a maior autoridade e maior dignidade assim exigem.

O Bispo, nas funções solenes reveste-se da cor violácea, símbolo da penitência e do sacrifício, em que devem viver para conduzir o seu rebanho.

Solidéu: é um pequeno gorro da cor violácea, seu nome significa "só para Deus". É utilizado pelo Bispo em todas as ocasiões, e em todos os lugares, exceto diante do Santíssimo exposto, e do Sumo Pontífice.

Roquete: é parecido com a sobrepeliz, possui, porém, mangas compridas e estreitas.

Murça: capinha de cor violácea utilizada sobre o roquete, fechada na frente com botões.

Capa Magna: grande capa com cauda e capuz, utilizada nas funções pontificiais.

Meias e Sandálias: da cor do paramento do dia, significam que o Bispo é como Mensageiro divino, preparado para levar o Evangelho aos povos.

Além dos ornamentos o Bispo utiliza as seguintes Insígnias: Cruz Peitoral: é uma advertência solene de sua diginidade sacerdotal, que deriva da Cruz, e dos seus deveres para com o seu rebanho redimido pela Cruz.

Anel: de ouro, simboliza a caridade, possui uma pedra preciosa e significa a união do Bispo com a Igreja, e sua inquebrantável fidelidade.

Báculo: é um grande cajado de metal precioso, e relembra o cajado dos pastores. Possui uma das extremidade terminado em uma espécie de gancho, e a outra em ponta. Simboliza as funções do pastor: de atrair a ovelha, com a extremidade em gancho, e de atacar e ferir o lobo, com a extremidade pontuda.

Palmatória: pequeno castiçal de cabo com uma vela acesa, como sinal de homenagem a sua dignidade.

Cânon: pequeno missal que fica na frente do Sacrário, ou no atril, em lugar do Missal Ordinário, para maior comodidade do Prelado que deve rezar, nele, orações especiais.

Cruz Arquiespiscopal: possui uma haste, e se leva diante do Arcebispo, quando entra ou sai da igreja, ou quando se dirige solenemente a um lugar, com o crucifixo voltado para ele.